domingo, 11 de fevereiro de 2007

Breve Indignação

A morte do menino de seis anos que foi arrastado por quinze minutos preso ao cinto de segurança do lado de fora do carro me lembrou de uma frase do Bill Watterson, dita através de sua mais famosa criação, o Calvin: certas coisas que acontecem conosco são ou cruéis, ou aleatórias e em qualquer um dos dois casos é difícil manter a paz de espírito.

Nossa relação com Deus e o Destino é complicada e atrocidades como essa não ajudam. Conheci um padre que diria que o crime não foi obra de Deus, mas dos homens. Mas Deus não é onipotente? Não foi ele quem criou o homem? No Antigo Testamento, Ele vivia botando a mão na massa, dividindo oceanos, escrevendo em pedras e exigindo sacrifícios. Parece que agora continuamos fazendo os sacrifícios, sem as vantagens da comunicação direta com Ele.

Não faltam livros, de diversas religiões, que dizem que Deus nos fala através de sinais. O que houve com Deus? Virou surdo-mudo? Sinais são coisas complicadas de entender e passíveis de interpretação equivocada. Quantos assassinatos não foram cometidos e guerras não foram travadas porque alguém acreditava que estava em missão divina? Estou cansado de tentar entender os sinais de Deus. Outro dia mesmo quase bati o carro ao olhar para um passarinho que voava de forma irregular. Esquisito? Com certeza. Sinal de Deus? Talvez. O que significava? Aceito sugestões.

E a morte do menino de seis anos? O que significa?

Não estou com raiva de Deus. Não adiantaria nada e acho que não mudaria os sentimentos dele em relação à raça humana. A raiva e a indignação natural que surge quando uma coisa dessas acontece é um sentimento natural, mas pouco produtivo. Talvez Deus não apareça pessoalmente com mais freqüência porque já tenha dito tudo o que precisava dizer: ama ao próximo como a ti mesmo.

Mas é que os criminosos que destruíram a vida do garoto já não deveriam ter amor próprio há muito tempo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Começar de novo

É melhor ligar para o Procon. Tudo indica que esse ano que mal começou já está usado e de novo não tem nada. Olho em volta e tudo me parece estranhamente familiar. O presidente, meus problemas e o Clint Eastwood no Oscar... nada de novo.

Você também está se sentindo assim? Não tema. Para ajudar a combater essa sensação de déjà vu, basta acessar o novíssimo Ninguém Perguntou. Nova cara, novas crônicas e, bem... é só isso de novo, o resto continua igual. Inclusive, os leitores são os mesmos 103 do final do ano. Ei, falei que ia ajudar a mudar os ares – não disse que iria resolver o problema.

Ah, sim! Mudou também a ferramenta de divulgação do site. Estou usando o Gmail. Agora, se alguém quiser ser incluído no mailing list é só mandar um e-mail para zinho73@gmail.com. Quem já estava no mailling não precisa fazer nada, seu nome já foi transferido com sucesso para o novo processo e continuarei enchendo seu saco, exatamente como no ano passado.

A vocês dois que reclamaram, desculpem o começo lento em janeiro, mas eu precisava arrumar a parte técnica do site e algumas coisas menos técnicas na minha vida. Aos outros 101 que pareceram não notar a diferença, aqui vai mais uma novidade: o site agora tem monitoramento de acessos diários e você pode me fazer feliz com apenas um clique (isso não soou exatamente como eu tinha imaginado).

Enfim, não é muito, mas estou aqui fazendo a minha parte para que o ano fique, finalmente, com cara de novo.

Evolução

Os enlatados americanos evoluíram. Do Homem de Seis Milhões de Dólares e Automan para CSI e Law and Order a distância é grande. Se antes essas produções eram divertidas e descerebradas, passaram a ser divertidas e, com o perdão do adjetivo, inteligentes.

É fácil associar os americanos com produtividade e consumo, mas sempre hesitamos em lembrar o quão inteligentes esses capitalistas podem ser e, de uns tempos para cá, eles têm me surpreendido. Já comentei no blog que não podemos mais criticar Hollywood como antes, pois ela tem produzido muitos dos filmes mais ácidos e instigantes da atualidade. Basta olhar para o Oscar e ver o prestígio dado aos filmes do Eastwood e ao Último Rei da Escócia. Eastwood, que já beijou macacos nas telas do cinema, se deu ao trabalho de fazer dois filmes sobre uma mesma batalha, sendo que um deles aborda o ponto de vista do inimigo. Incrível. E a prova de que as coisas evoluem mesmo.

E coisa parecida tem acontecido na tela pequena. Com inspirações na filosofia, na ciência (e não na ficção científica) e na psicologia, séries como Lost, CSI, Law and Order, 24 e Criminal Minds têm conquistado o mercado americano, o mundo e a mim.

Minha última grata surpresa foi com o Law and Order – Special Victms Unit, que trata sobre crimes de natureza sexual. Os diálogos são interessantes, o clima denso e as discussões éticas e morais absolutamente brilhantes. Até hoje me pego pensando no episódio no qual um pedófilo se casa com uma moça cuja doença a deixa com aparência de menina de quinze anos. O cara pôde dar vazão ao seu distúrbio sem quebrar a lei! É de dar nó na cabeça.

Nunca botei fé no seriado porque pensei que o tema não oferecia muita variedade. Achei que seriam investigações sobre um caso de estupro após o outro. Ledo engano. A sexualidade é um dos mares mais profundos e pouco navegados da alma humana e o que não falta é coisa interessante para dizer sobre o assunto. Coisas interessantes, bizarras, perturbadoras e emocionantes. Não é o mais divertido dessa safra nova de seriados, mas é um dos mais, está aí a palavra de novo, inteligentes.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O Time dos Sonhos

Depois de assistir a vários filmes de Hollywood e a dezenas de seriados americanos, desenvolvi uma teoria que, salvo um infortunado erro de cálculo, pode ser a salvação do Brasil.
Para o país ir para frente, tudo que precisamos é juntar um punhado (cinco ou seis) de pessoas honestas, motivadas, altamente qualificadas e determinadas em posições-chave em todo o território nacional.
Imagine um grupo de amigos, dois senadores e três deputados, incorruptíveis, com amplo conhecimento jurídico, absolutamente determinados a expor toda a sujeira do congresso e a propor leis modernas, revolucionárias e claras em seu enunciado. Um deles colecionaria selos, outro tocaria trompete e uma deputada, a mais nova do grupo, seria bonita, gostosa, usaria sempre roupas que desafiariam o decoro parlamentar e teria, obviamente, doutorado em análise comportamental.
Ou uma delegacia de polícia com uma equipe que preza a ética acima de tudo, de moral inabalável e ótimo senso de humor. O delegado gordo seria sempre brilhante e com uma carreira política em ascensão e os investigadores estariam munidos da mais sofisticada tecnologia forense e, ainda por cima, saberiam como usá-la. Um dos membros da equipe, descendente de italiano, ficaria famoso por seu temperamento explosivo, seu senso de justiça e sua empatia com as vítimas.
Ou... Você pegou a idéia. Minha tese é a de que essas combinações parecem funcionar na ficção porque funcionariam muito bem na realidade. Tenho a prova – ou quase.
Trabalho em um local que, em alguns momentos chega bem próximo disso. O Programa Nacional de Aids do Brasil chegou a ser reconhecido como o melhor do mundo e, volta e meia, produz resultados interessantes, cutucando um pouco a sociedade e seus mecanismos internos. E, conhecendo o Programa por dentro, sei de histórias e personagens que não ficariam devendo a nenhum seriado americano.
Deve haver outros exemplos, dentro e fora do governo, mas vou falar só do que conheço, pois não quero acusar ninguém de eficiência injustamente. Todo cuidado é pouco, pois, do jeito que as coisas andam por aqui, ser eficiente deve ser crime dos mais graves.