Como metade das pessoas que têm computador, eu também recebi o e-mail bizarro da velha gueixa com o pé completamente atrofiado e deformado. Com uma mistura de orgulho e tristeza, a senhora mostrava o estado pé, com os dedos dobrados, peito do pé estufado e, como último recurso, o tendão cortado. Tudo para conseguir calçar um sapato número, sei lá, 29? 28?
O sapato era pequeno, mas é o que menos importa nessa história. O que importa é o seguinte: até onde estamos dispostos a ir para sermos aceitos? No caso da senhora japonesa, ela suportou uma imensa violência física por conta de determinadas pressões culturais e sociais. Mais freqüentemente, nós nos submetemos a algumas violências psicológicas para subir na vida e para ser convidado para as festas.
Às vezes nem percebemos e, outras, levamos na brincadeira. São as demandas do chefe chato, o terno de segunda à quinta, o sorriso amarelo diante do desafeto que casou com sua melhor amiga, o aniversário da tia inconveniente. Pressões sociais e culturais que, pensamos, não significam nada e, afinal, precisam ser obedecidas, sob pena de ostracismo ou, pior, indiferença.
Mas quando vejo essas páginas pessoais do Orkut e afins, com gente tirando a roupa, declarando que faz sexo com plantas e exibindo sua vida pessoal de forma explícita, me pergunto se essa onda de mostrar as cicatrizes na Internet já não tem um tempo. É que algumas cicatrizes são mais visíveis que outras...