sexta-feira, 11 de junho de 2010

Abrem-se as cortinas, etc.

Foi dada a largada para a Copa do Mundo num show à parte (à parte mesmo- emissora de TV que quisesse transmitir tinha que pagar extra) do maluco, mas o meu tipo de maluco, Desmond Tutu e da cada dia mais gostosa e mais loura Shakira. Pelé assumiu que o importante é ganhar e que se exploda o futebol bonito (nome do projeto que ele criou!) e os favoritos são a Espanha (de novo!), que nunca leva, o Brasil (de novo!), que já levou mais que todo mundo e os outros suspeitos de sempre: Alemanha, Holanda (outra que nunca levou) e Inglaterra. E o Brasil pode jogar de novo contra a Holanda – quem faz o sorteio dessa porcaria? A Copa só acontece de quatro em quatro anos e a gente tem que jogar sempre contra os mesmos caras? Queria jogar contra o Uruguai, caramba! Dar o troco por 50!O Uruguai que é aqui do lado a gente só enfrenta nas eliminatórias, mas a porra da França e da Holanda é copa sim, copa não, quando não são as duas na mesma competição. A bola, a tal da Adidas Jabulani, que a TV chama só de Jabulani, é uma merda: leve e sem aderência. Inclusive, cada vez que reformulam a bola ela fica mais leve e mais sem aderência, mais umas duas Copas e vão encher a gorducha com gás hélio e lambrecar de vaselina. Quem sabe assim eu não volte a me empolgar com o futebol? E hoje voltei a me emocionar com as letras do Renato Russo, quase sem querer. O que isso tem a ver com bola? Nada. Mas a Shakira também não tem nada a ver com futebol e, hoje em dia, nem o Pelé.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mulher diz que engravidou vendo filme 3D

Eu assisto Jornal Nacional como todo mundo, mas são essas notícias esdrúxulas que chegam pela Internet as que mais me fascinam. Não porque eu tenha uma curiosidade mórbida (embora todo mundo tenha ao menos um pouco), mas porque elas beiram o inacreditável e, para quem escreve, saber que o inacreditável pode ser real é um estímulo à criatividade, uma vez que fica comprovado que o impossível é algo relativo.

Mas divago, divago.

O caso é que uma moça americana, cujo marido militar estava há um ano fora de casa (esses militares...), surpreendeu o amado na volta para o lar com um bebê negro nos braços. Segundo ela, o bebê foi concebido quando ela, com as amigas, foi ver um filme pornô 3D em Nova Iorque. De acordo com ela, o menino era a cara do ator negro do filme.

Na notícia que li, o maridão disse que acreditava na esposa, registrou o petiz e que os dois já estavam se preparando para processar a produtora do filme. A mulher ficou aliviada com o apoio do marido e reafirmou que jamais seria capaz de traí-lo com outro homem.

Certo.

Bom, aprendi muita coisa com essa notícia.

1. Existe filme pornô 3D (ou será que isso faz parte da fantasia da moça?). Já parou pra pensar nisso? Claro que não era difícil de imaginar que isso um dia acabaria acontecendo, mas só de pensar tenho arrepios. O princípio do 3D é impressionar a platéia projetando coisas na direção do espectador – mas em um filme pornô, nada do que pode ser projetado em minha direção me interessa muito.

2. A mulher é uma idiota.

3. O marido pode ser também um idiota, mas existe uma segunda opção. Ele pode saber que ela está mentindo, mas amá-la de tal forma que está disposto a passar por idiota para permanecer ao lado dela. A segunda opção talvez não o absolva completamente da acusação de ser idiota, mas ser um idiota apaixonado é sem dúvida uma atenuante.

4. Aprendi também que o meu filtro de spam no e-mail precisa ser aperfeiçoado.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

É do Peru!

Dia desses recebi um e-mail chamado PERU INIGUALÁVEL!

Não vou entrar em detalhes, tire suas próprias conclusões, mas a verdade é que a criatividade e o grotesco andam de mãos dadas na Internet e seus subprodutos (como os e-mails spam).

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Covardia ocidental

É duro, eu sei, mas a verdade é que somos um bando de frouxos. Jamais existiria um piloto kamikaze ou um samurai ocidental. Queremos curtir a vida, ganhar dinheiro e fazer um churrasquinho com os amigos no final de semana.

Honra é um conceito meio nebuloso por aqui. Consideramos burrice assumir a responsabilidade por algo que fizemos, pagar o que devemos ou defender alguém injustiçado (não temos nada a ver com isso, certo?). Obedecemos à lei quando nos é conveniente, consideramos o trabalho braçal e de casa como uma coisa menor e medimos, sim, os outros pelas roupas que vestem ou os carros que dirigem.

Alguém muito cara-de-pau poderia falar que isso não é exclusividade ocidental e eu até concordaria. Afinal, com a globalização, estamos exportando nossa covardia junto com o McDonald's, criando um planeta de pusilânimes imediatistas.

Nossa memória fraca e o hábito de fingir que não é com a gente é um prato cheio para políticos que, no final do ano, estarão comemorando às nossas custas todo o dinheiro que vamos dar a eles durante os próximos quatro anos. A não ser, é claro, que consigamos botar alguém honesto e corajoso lá em cima. Bom, se aqui embaixo for todo mundo honesto e corajoso também, é fácil.

Mas eu puxei esse assunto porque na noite passada vi um filme que me chamou a atenção: Red Justice, com o Richard Gere. Você já deve ter visto também. É um no qual ele é acusado injustamente de matar a filha de um general chinês e é julgado pelo sistema jurídico da China, que é longe de ser justo. Tem uma cena, completamente fantasiosa, na qual ele, seguro na embaixada dos estados Unidos, decide sair para enfrentar um julgamento armado só para não prejudicar sua advogada, que seria responsabilizada por sua fuga.

Fiquei pensando: alguém faria isso na vida real? Eu conheço alguém capaz de fazer um sacrifício enorme apenas para evitar o sofrimento de um conhecido? Resposta honesta? Não sei. Esse é o tipo de pessoa que se revela apenas quando a situação exige e, infelizmente, nas situações mais cabeludas que presenciei até hoje, o que mais vi foi gente abandonando o navio (inclusive alguns capitães).

Enfim, entre morrer com a sensação de dever cumprido ou botar o rabo entre as pernas pra lutar outro dia, qual seria a escolha mais inteligente?