quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E, só pra fechar...

O trailer de Red Tails é fenomenal.

Vou chorar, desculpe mas eu vou chorar...

George Lucas disse que está se aposentando.

Ele tem mais um filme pra sair agora (Red Tail), mas disse que depois desse vai deixar de lado essa história de cinema e, especialmente, Star Wars, porque ele acha que os fãs reclamam de tudo o que ele faz e que, portanto, não vale à pena fazer mais.

Acho uma boa ele se afastar do cinema porque, obviamente, o homem já está distanciado da realidade. Claro que algumas reclamações dos fãs são infundadas ou exageradas (fãs não são razoáveis), mas o fato é que os novos filmes da série só tem os efeitos especiais de bom e mais nada – a história é ruim, a edição é ruim, a direção é ruim. Isso não é reclamação de fã, são observações técnicas.

E, cá entre nós, o cara é um multimilionário que criou um dos maiores sucessos de toda a história do cinema e ainda assim precisa da validação dos fãs? Claro, seria legal, mas você não vê nenhum profissional sério passando por isso. Alguns diretores consideram a opinião dos fãs, outros, respeitam... Mas, validação? Só alguém muito inseguro se apóia nesse tipo de coisa, pois aí o processo deixa de ser artístico e passa a ser... Sei lá! Algo para um bom psicólogo resolver.

E só um bom psicólogo conseguiria explicar porque Lucas nunca conseguiu aceitar o sucesso de seus primeiros filmes – o cara passou anos refazendo-os das mais diversas formas. Não sei de nenhum outro diretor que tenha feito algo parecido. Claro, filmes são relançados a todo o momento com extras, comentários do diretor, melhorias de som e de imagem, etc. Mas nenhum filme foi tão mexido e remexido como os três primeiros filmes da saga Star Wars (só a cena da cantina tem quatro versões diferentes!).

Lucas se defende dizendo que só estava deixando os filmes exatamente como ele queria que fossem desde o início. Uma declaração que, se levada ao pé da letra, comprova que ele nunca teve a menor ideia do que queria com a série e que todo o sucesso foi fruto de uma enorme coincidência.

Não acredito nisso. Acho que Lucas é um cara criativo e talentoso que teve tanto sucesso no começo de carreira que ninguém mais ousou criticá-lo ou questioná-lo, fazendo com que ele perdesse a objetividade. O mesmo aconteceu com Spielberg, claro, mas Spielberg continuou a amadurecer e a crescer tanto tecnicamente quanto como artista. Lucas regrediu – e virou um bebê chorão.

A entrevista que vi dele quase me deu pena. Quase.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os posts que eu não fiz em 2011 - PARTE 1

2011 foi um ano diferente, no qual minhas prioridades não foram escolhidas por mim, mas pelo destino (ou o acaso, que é o primo sacana do destino). Por conta disso, muito do que planejei não aconteceu, inclusive uma série de crônicas, que foram ficando arquivadas na memória (do computador, que a minha já deu pau faz tempo).

COSPLAY
Pra quem não sabe, COSPLAY é a abreviação de Costume Play, que é basicamente se fantasiar de algum personagem famoso (quase sempre de filme ou videogame). Embora a maior parte dos cosplayers seja de adultos barrigudos com mais senso de humor que senso de ridículo, este também é um universo repleto de gatinhas nerds (sim, elas existem).

Uma tal de Konoe causou o maior sassarico na Internet lá pelo começo do ano, por três motivos, em ordem inversa de importância:
1. As fantasias dela são bem feitas.
2. As fotos são razoáveis e imitam bem o clima do videogame.
3. Ela é bonitinha e não se incomoda de pagar peitinho.

ANÚNCIO DA MAZDA

domingo, 20 de novembro de 2011

True Grit

Bravura Indômita é um excelente filme. Como todo bom western, conta uma história que é grandiosa em sua insignificância: fala da determinação de uma menina de 14 anos em levar à justiça o assassino de seu pai e de seu relacionamento com um Marshall e um Texas Ranger.

A história é boa, mas não é nem de longe a atração principal do filme. A fotografia, a edição, a montagem e a composição dos personagens são trabalhos de mestres.

O fato dos personagens serem interessantes não vai ser surpresa para quem acompanha o trabalho dos irmãos Cohen, mas a narrativa mais estruturada e a utilização parcimoniosa de situações surreais são mais inesperadas. Os filmes dos irmãos Cohen costumam propositadamente segurar a evolução da trama para valorizar os personagens e o “clima” da história. Em True Grit, esse talento é usado em doses mais homeopáticas e o resultado é realmente excepcional - o filme acaba ganhando em ritmo e funciona em vários níveis: como um bom western, como um filme de personagens, como filme autoral. É uma lição de cinema.

Diz a lenda que a produção executiva de Spielberg deu ao filme um tom mais comercial e embora isso possa ser visto como sacrilégio pelos intelectuais de plantão, a verdade é que os filmes de Spielberg são comerciais muito mais pelo fato de serem bons do que por seguirem fórmulas prontas (É a diferença entre Caçadores da Arca Perdida e Transformers). O que eu vi no filme foi qualidade e não babaquice de grupo focal. Um filme autoral demais poderia perder o seu caráter de homenagem ao material de referência (tanto o livro quanto o primeiro filme) e poderia descaracterizar a história.

Jeff Bridges está de novo caricato (e funciona! Quantas vezes ele vai conseguir fazer isso?), Matt Damon faz uma versão texana do seu personagem em 11 Homens e um Segredo e a atriz adolescente Hailee Steinfield prova que, apesar dos Crepúsculos da vida, ainda existem papéis interessantes para jovens em Hollywood.

A química do trio funciona, e os personagens adultos crescem com a evolução da trama (a menina é meio que um samba de uma nota só, mas, pelo menos, é um bom samba).

Enfim, gostei das decisões tomadas e da forma como True Grit foi conduzido. O humor do filme é inteligente, as cenas de ação são cruas e a história é deliciosamente previsível. Você sabe que está assistindo a um grande filme quando o que importa não é o que acontece, mas, sim, como acontece.