segunda-feira, 7 de julho de 2014

FIFA inconsequente



Que a FIFA é meio burra ninguém duvida.

Primeiro falaram mal da organização do Brasil pra só depois cair a ficha de que se a Copa aqui fosse um desastre continuaria sendo a Copa da FIFA (como eles fazem questão de chamar agora). Então dá-lhe a enfiar dinheiro por aqui e mudar o tom do discurso, mesmo que por baixo dos panos fique aquele pensamentozinho: “se arrependimento matasse...”.

Depois faz jogos à uma da tarde, matando o bom futebol. Impede que os filhos do Mondragon entrem em campo e outras trapalhadas. Claro que A FIFA não decide nada. Quem decide são as pessoas que a representam em um ou outro momento, com graus diferentes de culpa.

Mas culpa é uma coisa e responsabilidade é outra. A responsabilidade continua sendo do órgão. Portanto, vamos continuar chamando o vilão de FIFA.

Enfim, nenhuma dessas burrices se compara ao resultado do julgamento do Zuniga, o jogador colombiano que quebrou o Neymar. A FIFA declarou, entre outras coisas, o seguinte: “nenhum fato pode ser julgado em função de suas conseqüências”.

Não sou jurista, mas a frase me parece absurda, pois, pra mim, qualquer coisa só pode ser julgada em função das consequências. Praticamente nada pode ser julgado em função só da intenção porque não podemos ler a mente dos outros. Avaliar apenas a intenção é função do pai e da mãe, não do juiz.
Uma coisa é dar um tiro em alguém e errar, outra é acertar e outra maior ainda é matar. A intenção, comprovada ou não, é agravo. Mas alguma coisa tem que ser feita independente da intenção. Educar é avaliar a intenção. Julgar é avaliar as consequências. Uma coisa é fazer merda, outra coisa é fazer merda e  detonar a vida dos outros.

Tenho certeza absoluta que o Zuniga não teve intenção de tirar o Neymar da Copa. Mas tirou. Com uma falta covarde, de força desproporcional, já que muito pior que uma cotovelada é uma joelhada, pois, não sei se repararam, o jogador de futebol tem muito mais força na perna que no braço. Uma joelhada nas costas é algo que não tem como ser “de jogo”. Uma coisa é, em uma bola dividida, um jogador, sei lá, quebrar a perna. Nesse caso a conseqüência é realmente imprevisível, mas a falta do Zuniga foi um ato exagerado, no mínimo impensado. Tão errado que o próprio jogador pediu desculpas.

Não quero crucificar o Zuniga. O cara não precisa levar punição de nove jogos e ficar seis meses sem jogar. Mas uma multa, uma punição de três jogos, um dedinho na cara dizendo que, se fizer de novo fica de castigo. Qualquer coisa.

Mas a FIFA não está muito interessada em ser rigorosa e justa. Ou, no mínimo consistente, se considerarmos o caso do mordedor Suarez. E, confesso, eu também não estaria se não estivesse nem aí pras consequências do que eu faço.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Indescritível


Foi com olhar longínquo e sôfrego que Melissa largou-se cambaleante nos braços maliciosos de James. Bastou apenas este gesto lânguido para que o jovem aristocrata de sangue voluptuoso soubesse a verdade, mesmo que trêmula e inquieta : nenhum adjetivo poderia descrever corretamente aquela situação.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Contando os centavos

Dinheiro é, em tese, a coisa mais importante do mundo. Países sem dinheiro vivenciam quase que literalmente o apocalipse diariamente, com a fome, a peste, a guerra e a morte sempre presentes.

Pessoas sem dinheiro vivem em situação precária e, na maioria das vezes, não têm condições de buscar as realizações tão necessárias para aquele negócio chamado felicidade.

Dito isso, existe um ponto no qual o dinheiro deixa de ser importante, de forma inversamente proporcional: quanto mais dinheiro nós temos, menos importante ele é.  

O problema é que o ser humano comum tem dificuldade de perceber esse ponto. Não passar fome e ter onde morar parece ser o básico, mas já conheci pessoas que passaram necessidades pesadas e nem por isso deixaram de ser felizes e realizadas.

Dinheiro pra viajar e conhecer novos lugares e pessoas também é importante, mas já vi gente que nunca saiu da cidade onde nasceu e não parece se importar nem um pouco e... Bom, você já viu onde quero chegar: este ponto indefinível em que ter mais ou menos dinheiro não tem tanta importância assim é um alvo móvel, subjetivo, fortemente influenciado pela cultura e psicologia do sujeito (ou sujeita, como queiram).

Mas o mais importante do dinheiro não é ter-lo – é saber como gastá-lo. O acúmulo de dinheiro a La Tio Patinhas só pode ser visto como obsessão e é um beco sem saída. O aproveitamento do seu dinheiro (pouco ou muito) é a chave para transformá-lo em uma ferramenta de felicidade.

Gastar 40 reais em uma conta de boteco pode ser um investimento melhor que 400 em um restaurante mais fino, aonde até as batatas vêm de nariz empinado para a mesa e o garçom te olha com desdém e enfado.

E se endividar para realizar um sonho pode ser uma idéia muito menos maluca do que aparenta.


Não estou incentivando ninguém a queimar a poupança pra andar de lhama no Nepal e nem a freqüentar ambientes questionáveis cheios de alegria e comidas com colônias de bactérias, estou só dizendo que, às vezes, pra equilibrar a vida, é preciso desequilibrar nossas economias.

Adivinha qual dos dois tem muito dinheiro...

domingo, 11 de agosto de 2013

O que estou prestes a fazer é algo para o qual não tenho a menor qualificação: dar um conselho. Na verdade, dois.

Sim, eu sei que todo mundo que já viveu um tanto tem, em tese, algum tipo de experiência para compartilhar. Mas o fato de ter a experiência não significa que vamos interpretá-la corretamente e, provavelmente, sua experiência de vida não terá uma aplicação prática na minha, pelo simples fato de sermos pessoas diferentes, com passados diferentes, em locais diferentes, cercados por um ambiente diferente.

Por isso que todo livro de auto-ajuda é, no máximo uma inspiração e, possivelmente uma enganação.

O básico discurso do “acredite em você mesmo e não desista nunca” fez um simplório americano mergulhar na miséria, perder a família e jogar fora vinte anos de sua vida na tentativa de colocar no mercado o seu jogo “speedball”, que nada mais é que um air hockey bem piorado.
Então aqui vai o meu primeiro conselho: preste atenção no contexto em que as coisas acontecem. Isso vai possibilitar que você interprete as experiências de vida que são passadas a você através de filmes, livros, conversas, sermões. Isso vai permitir que você consiga entender melhor o que pode e o que não pode funcionar pra você.


Meu segundo conselho tem a ver com dinheiro – e vai ficar para a próxima crônica.