terça-feira, 15 de maio de 2007

Second Life



Ontem fiz meu cadastro no Second Life para ver do que se trata. Pra você que tem mais preocupações reais que virtuais, esclareço que o Second Life é uma comunidade virtual (a maior do mundo no gênero), com milhões de usuários e economia própria.
A idéia é simples e assustadora. Você cria um avatar e entra nesse mundo virtual, onde você pode trabalhar, montar um negócio, inventar coisas, promover festas, exatamente como na vida real.
Não é um jogo. Não existem objetivos, você simplesmente “loga” e fica lá, vivendo uma vida virtual.
Pessoas se casam, ficam milionárias (de verdade, já que o dinheiro do Second Life pode ser trocado por dólares reais), fazem amigos e passam horas e horas desenvolvendo uma nova personalidade – os usuários ficam, em média, 12 horas por semana nesse mundo cibernético.
Várias empresas como Dell, Nokia e Microsoft já tem seus espaços dentro do Second Life. Elas contratam funcionários (os avatares) e promovem seus produtos.
Pois é, ontem me inscrevi e entrei lá para ver qual é.
Não é exatamente The Matrix. O gráfico do mundo 3D é básico, mas funcional. As animações dos avatares são pobres e esquisitas. Fazer o boneco andar é trabalhoso, pouco intuitivo e o resultado é bizarro.
Construí uma mulher gostosa e saí rebolando (e tremendo, graças às falhas gráficas) pela ilha tutorial. Fui atropelado, roubei um patinete, aprendi a voar e fui azarado por um cara de cueca e uma tocha na mão. Ganhei a tocha de presente e tirei uma foto de mim mesmo sentado num trono em um castelo. Tentei ir ao cinema para ver Godzilla e quase fui morto por uma turba enfurecida. Como é que eu ia saber que clicando na trela do cinema o filme começava de novo?
Depois de meia hora, enchi o saco e não achei nada parecido com a vida real (com exceção da turba enfurecida querendo me pegar). Além disso, a interface é extremamente complicada e pouco intuitiva, o que só aumentou minha certeza de que o mundo virtual veio para ficar.
Se alguém cria uma coisa dessas com o mesmo nível de qualidade dos videogames de próxima geração, corremos o risco de não sair mais de casa. E vem aí o Playstation Home.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Xixi

Uma coisa que tem me preocupado deveras é o xixi da Ivete Sangalo. Essa história está muito mal explicada e tem me tirado o sono. Se, por acaso ou bom senso, você não tem acompanhado as últimas fofocas, explico: saiu a notícia de que a Ivete Sangalo faz xixi em pé nos shows.

Mas como assim?

Nos banheiros onde ela faz shows? É isso? Se for, nada demais. As mulheres estão acostumadas a se equilibrar sobre as abjetas privadas de banheiros públicos. Fazer xixi em pé não é nada muito fora do normal – especialmente em shows e boates. Nesse caso, o xixi da Ivete Sangalo não teria nada de surpreendente e a notícia seria relevante pelo simples fato de ser a Ivete Sangalo mijando e não uma reles mortal. Mas aí seria muita falta de assunto.

O que nos leva à segunda hipótese: a Ivete Sangalo urina durante seus shows, entre um sacolejo e outro enquanto esbraveja "Poeiraaaaa! Levantou poeira!". O que seria uma contradição, já que piso molhado não levanta poeira. E uma imensa porcaria, acrescento.

A própria Ivete não comenta mais o assunto e a mídia também perdeu o interesse. Agora só se fala em Papa, Papa, Papa. E o xixi da Ivete, gente, como é que fica?

Sinceridade, honestidade e outras maluquices

Volta e meia vejo alguém se gabando de sua honestidade, de sua espontaneidade ou de sua sinceridade. Pessoas que se orgulham de falar o que pensam. Pois bem, minha opinião é a seguinte: quem fala tudo o que pensa é louco.

Pensamos o tempo todo e o pensamento é caótico, por mais lógico e linear que possa parecer de vez em quando. O pensamento é um processo que nos leva a conclusões. Falar antes de chegar a uma conclusão é, no mínimo, desaconselhável e já vi muita gente se arrepender do que está falando no meio do discurso, quando já é meio tarde e o palavrão já está formado.

Essa pseudo-sinceridade também virou desculpa para grosserias, ofensas, humilhações, demonstrações de pedantismo e mal-educação em geral.

— Mas é verdade, ela parecia uma pamonha com aquele vestido amarelo de laço verde na cintura!

Nada mais perverso que usar uma virtude pra justificar uma sacanagem.

Enfim, a honestidade, a sinceridade e outras palavras aparentadas são importantes – mas sem exageros.

Os homens que salvaram Star Wars

É impossível tirar o mérito e a visão de George Lucas no que diz respeito a um dos maiores fenômenos do marketing moderno chamado Guerra nas Estrelas. Mas a verdade é que os novos filmes da série, todos dirigidos por ele, comprovaram o que eu já desconfiava: ele é um péssimo diretor e um roteirista ainda pior.
Visionário na área de efeitos visuais e, com certeza, alguém com uma imaginação muito fértil, Lucas é despreparado na execução artística de suas idéias. Quando suas criações são capitaneadas por terceiros, os resultados são infinitamente superiores. Exemplo óbvio é a série Indiana Jones, pensada por Lucas e executada magistralmente por Spielberg.
Um exemplo não tão óbvio é a própria série Star Wars.
O primeiro filme surpreendeu o mundo por causa de seus efeitos visuais, um vilão carismático e o surgimento dos misteriosos e impressionantes Cavaleiros Jedi. O marceneiro Harison Ford também conquistou o mundo com seu cínico Han Solo. Mas a trama era rasa, infantil e cheia de clichês. Pergunto-me se um segundo filme nos mesmos moldes teriam transformado a série no fenômeno que é hoje.
Acho que não. Star Wars disparou uma enxurrada de produções parecidas- algumas com efeitos decentes e histórias razoáveis, como Mercenários das Galáxias ( o filme é melhor que o nome) e mais do mesmo talvez não tivesse tanto impacto.
Mas aí o acaso e a visão de George Lucas se juntaram para fazer dele o multimilionário que é hoje. Concentrado em produzir os efeitos especiais mais impressionantes já vistos, deixou o roteiro do episódio IV na mão do premiado Lawrence Kasdan e do diretor Richard Marquant. O resultado: o único filme realmente excepcional da série, com efeitos fantásticos e uma história interessante, bem conduzida e surpreendente.
Todos os outros filmes se seguram nos efeitos e no mito que se tornou a série (com uma ou outra atuação interessante).
Além disso, Peter David, nas histórias em quadrinhos, e a equipe da Bioware, nos videogames, produziram histórias muito mais interessantes que as dos filmes, aprimorando o universo de Star Wars – as melhores idéias, inclusive, foram incorporadas nos filmes (os sabres de luz de duas lâminas, os jedi twi’lek, etc.).
É como diz o ditado: uma boa idéia não é nada sem um marketing agressivo e sem a apropriação do esforço de terceiros.