quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Palavra nova

Todo mundo diz que ler é muito bom, mas acho que esse conceito é muito genérico, pois, na verdade, o proveito que se tira da leitura vai depender muito do que se lê, certo?

O meu blog, por exemplo, é uma perda de tempo danada. E você há de concordar comigo que é melhor não ler nada do que ler as fotolegendas da Caras.

Em todo caso, como evito seguir meus próprios conselhos, ultimamente eu estava lendo bastante porcaria: uns quadrinhos antigos meio bestas, Veja online (que anda mais preocupada com entretenimento que com notícia), rótulo de sardinha e uns contos meio obscuros de autores completamente obscuros.

Foi quando me deparei com a palavra teleretismo. Não sei exatamente onde – pode ter sido até no rótulo de sardinha – pois quando leio porcarias eu fico num estado de semiconsciência. Um torpor auto-induzido pra proteger as partes mais sensíveis do meu cérebro de uma Paulo Coelhada.

Fiquei com a palavra na cabeça sem saber seu significado por umas duas semanas até que resolvi consultar o dicionário, pois não costumo colocar palavras que desconheço no Google, a última vez que fiz isso a imagem que apareceu me dá pesadelos até hoje.

Enfim, acabei descobrindo o que é teleretismo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Jobs é o segundo maior inovador de todos os tempos?

No post passado toquei de leve na questão de Steve Jobs ser elevado ao status de ícone, uma espécie de exemplo a ser seguido. Acho isso temerário.

Jobs era um executivo que conseguia resultados, mas era um cara inescrupuloso, autocentrado e agressivo. Ele sabia se vender e vender as idéias dos outros como se fossem dele e acho que deixou lições fantásticas de marketing e administração, mas sem exageros.

Quer ver um exemplo de como essas coisas podem ficar fora de proporção muito rapidamente? O MIT fez uma pesquisa perguntando para seus alunos quem eles consideravam o maior inovador de todos os tempos. Jobs ficou em segundo lugar.
Jobs não era nem inventor e nem inovador. Era um tremendo analista de mercado e um eficientíssimo CEO. Ponto. Gutemberg, Newton, Da Vinci e Tesla, por exemplo, nem estavam na lista que o MIT divulgou.

O primeiro lugar ficou com Thomas Edison que, dizem, também era melhor marketeiro que inventor, registrando royalties de produtos melhor desenvolvidos por terceiros (como a lâmpada, de Tesla).

O que mostra o tanto que essa história de criar ícones – o melhor disso e daquilo – pode ser injusta e equivocada. Quando a gente admira sem ser de forma crítica corre o risco de copiar sem critério. Pode apostar que tem muito chefe escroto por aí se achando o máximo só porque o Steve Jobs também era do tipo carrasco.

Além disso, em quesitos como ciência e tecnologia e até mesmo mercado, o trabalho de um normalmente é conseqüência do trabalho dos outros que vieram antes – ou de uma equipe.

É como diria Newton: Se enxerguei mais longe é porque estava sobre os ombros de gigantes. Pois é: uns conseguem o sucesso subindo nos ombros e outros pisando na cabeça – é importante saber a diferença. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os posts que eu não fiz em 2011 - PARTE 2

FILMES HORROROSOS
Na onda de fazer listas sobre filmes, me ocorreu, depois de assistir a Hostel 3 e me divertir um bocado, que poderia ser interessante fazer uma lista de filmes de horror.

Parei pra pensar um instante sobre quais filmes eu poderia considerar os mais assustadores que assisti e, pra minha própria surpresa, um dos filmes mais perturbadores que já vi não era sequer um filme de terror tradicional.
A lista nunca foi propriamente concluída, mas, como estamos falando de posts que quase existiram, esses foram os três filmes que passaram pela minha cabeça quando surgiu a ideia:

O Exorcista – Duh. Óbvio.

Cannibal Holocaust – Apesar do nome horrível, o filme é até razoavelmente inteligente e crítico (além de hipócrita e bizarro). O diretor e produtor foi preso após a exibição de estréia do filme por algo tipo “atentado contra os bons costumes” e depois ainda foi indiciado por assassinato – e teve que provar que os atores do filme estavam vivos e não tinham sido mortos em cena. O ator principal do filme era um astro pornô da época e alguns animais foram mortos de verdade na produção das cenas. Ou seja, uma peça rara.

Saló – Essa foi a surpresa, pois esse não é exatamente um filme de terror. Meu pai gostava muito da fotografia dos filmes de Passolini (achava as histórias uma extensão da mente revoltada do sujeito, mas adorava a fotografia). Na verdade, meu pai era um fã do cinema italiano e isso acabou gerando em mim uma grande curiosidade, que só aumentou depois de conhecer Sophia Loren.

Peitões à parte, todo esse preâmbulo é pra ajudar a justificar o que me levou a assistir Saló na íntegra, um dos filmes mais, bem... Escrotos já produzidos.
O pano de fundo da história é a Itália ocupada pelos nazistas e um observador mais atento vai observar que o filme traz metáforas que falam sobre poder, sexualidade, modernidade e a condição humana.

O problema é que essas metáforas são apresentadas na forma de sodomia, estupro, escatologia, assassinato, surrealismo e, claro, tortura física e psicológica DE ADOLESCENTES! É o único filme que já assisti em toda minha vida que me deu vontade de vomitar. Mas a fotografia é realmente lindíssima...

MAÇÃ

Em dezembro, pensei em comentar um pouco sobre a Apple e o foto do Iphone novo ter vendido 4 milhões de unidades em um final de semana e sobre lucro previsto da empresa de 4 bilhões de dólares para o último quadrimestre do ano (eles erraram - foi mais de 6 bilhões e meio de dólares), mas acabei não achando tempo.

Pois é... A morte de Steve Jobs e a extraordinária mídia em torno do fato alavancaram as vendas da Apple e aumentaram o valor das ações da empresa em mais de 30%. Até morto o cara manda bem.